Resposta direta: na pesquisa da McKinsey sobre IA em 2026, 32% dos entrevistados disseram que a empresa deixou de comprar pelo menos um software porque conseguiu construir o mesmo internamente com agentes de programação. Para PME, a lição não é "construa tudo": é comprar o que é igual em toda empresa, construir só o que carrega a regra do seu negócio e decidir antes quem vai operar o que for construído.
O que a McKinsey encontrou
O dado veio do relatório anual da McKinsey sobre IA, The state of AI in 2026, e virou notícia em setembro em uma matéria do The Tribune, com despacho da agência ANI. Todos os números abaixo são respostas dos entrevistados, não medição feita pela consultoria.
Deixaram de comprar
- 32% deixaram de comprar ao menos um software ou funcionalidade
- Motivo: construíram o mesmo com agentes de programação
- Quase metade entre as empresas mais avançadas em IA
- 31% entre as demais
Agentes em escala
- 40% das empresas acima de US$ 1 bilhão de faturamento
- Eram 27% um ano antes
- 22% nas empresas menores, sem mudança
- Mais avançadas: 2 vezes mais chance de escalar agentes de programação e 2,7 vezes de escalar outros agentes
Custo de operar
- Cerca de 1 em cada 5 disse que o custo de operar a IA já limitou o uso
- Inclui o custo de tokens
- 60% esperam aumentar o investimento em IA no próximo ano
Três leituras saem desses números:
- Construir deixou de ser coisa de empresa de tecnologia. Um terço das empresas já trocou pelo menos uma compra de software por algo feito em casa. A matéria aponta que o movimento é mais forte em tecnologia e saúde, seguidas de serviços profissionais e de energia e materiais.
- A distância entre grandes e menores está aumentando. Nas empresas acima de US$ 1 bilhão, o uso de agentes em escala subiu de 27% para 40% em um ano. Nas menores, ficou parado em 22%. Quem já tinha estrutura acelerou; quem não tinha, esperou.
- O custo não sumiu, mudou de lugar. Uma em cada cinco empresas disse que o custo de manter a IA rodando já limitou o quanto ela consegue usar. Esse é o número que mais importa para quem está decidindo agora.
Comprar ou construir: o que isso significa para uma PME
A tentação depois de ler uma pesquisa dessas é cancelar as assinaturas e "construir tudo com IA". Ferramentas de programação com agentes, como o Claude Code, de fato encurtaram muito o tempo para colocar um sistema de pé.
Só que a frase que resume o momento é outra: construir ficou barato, manter não ficou. Quando você compra um sistema pronto, tem alguém cuidando dele por você: atualização, correção, segurança, suporte. Quando você constrói, essa conta passa a ser sua. A pesquisa mostra isso de forma indireta: o custo saiu da licença e foi para a operação, e uma parte das empresas já sentiu.
Para uma PME brasileira, isso leva a três perguntas antes de qualquer decisão:
- Esse sistema é igual em toda empresa ou carrega uma regra só minha? Agenda, envio de e-mail, assinatura de documento e o próprio modelo de IA são iguais para todo mundo. A regra de conferência fiscal da sua empresa, o jeito que a sua diretoria mede faturamento ou a forma como o seu comercial qualifica um lead, não.
- Quem vai operar o que for construído? Sistema sem dono para de funcionar na primeira mudança de processo. Se não há ninguém dentro ou fora da empresa responsável por ele, comprar costuma ser mais seguro.
- Quanto custa manter rodando, todo mês? Hospedagem, consumo de IA, ajustes. Esse número precisa estar na conta antes, não aparecer na fatura.
Como decidimos comprar ou construir nos projetos reais
Na Nexus, já desenvolvemos mais de 12 sistemas sob medida e colocamos mais de 30 agentes de IA em operação. Quase nenhum desses projetos foi "construir tudo do zero". O padrão que funciona é comprar a base e construir em cima dela só o que é da empresa.
Copiloto de dados no ERP: compramos o modelo, construímos o conector. Para a diretoria de uma indústria cerâmica, não compramos uma ferramenta de BI pronta nem criamos uma IA própria. Usamos o Claude, que já está pronto e é melhor do que qualquer coisa que uma empresa média construiria, e construímos só o que nenhum fornecedor entrega: um servidor MCP na Cloudflare que conhece as 23 consultas do ERP que a diretoria usa, conferidas uma a uma contra a tela do sistema. Contamos o projeto inteiro em como ter um agente de IA no ERP Sankhya com o Claude. O custo de manter também entrou no desenho: para o volume de uma diretoria, o servidor roda no plano gratuito da Cloudflare.
Auditoria fiscal: a regra é da empresa, então construímos. Conferir nota fiscal contra as regras de tributo e classificação de uma indústria específica não é algo que se compra pronto. Construímos um auditor fiscal automatizado com as regras montadas junto da equipe fiscal, que já passou de 2 mil notas analisadas. A equipe fiscal continua decidindo; o sistema faz a conferência repetitiva.
O nosso próprio CRM: trocamos o comprado pelo construído. Dentro de casa fizemos a mesma escolha da pesquisa. Deixamos de usar um CRM comprado e montamos o nosso fluxo de leads: cada formulário de isca entra pelo nosso cérebro de IA, é deduplicado e cai na nossa base. Na primeira carga, isso juntou 2.537 leads únicos que estavam espalhados em planilhas e formulários. Mas repare no que continuou comprado: a ferramenta de formulário, a plataforma de automação, a agenda do Cal.com para marcar reunião e a API de WhatsApp por onde o nosso SDR de IA conversa com o lead. Construímos a regra, compramos o resto.
Compramos
- Modelo de IA (Claude)
- Plataforma de automação
- Agenda (Cal.com)
- API de WhatsApp
- Hospedagem (Cloudflare, Netlify)
- Formulários
Construímos
- Conector do ERP com as consultas da diretoria
- Regras de conferência fiscal
- Fluxo de leads e qualificação
- Roteiro do SDR de IA
- Sistemas sob medida do cliente
Decidimos antes
- Quem opera depois da entrega
- Quanto custa manter por mês
- Como medir se funcionou
- O que acontece quando a regra mudar
Como planejamos o custo de operar
O número da McKinsey sobre custo de operação é o motivo de colocarmos essa conta no começo de todo projeto, e não depois. Em sistema construído com IA, o custo mensal raramente está na visita ou no uso: está na forma de operar. Por isso três práticas valem para os nossos projetos e para a própria Nexus:
- Publicação em lote. Mudanças são juntadas e vão para produção de uma vez, porque cada publicação tem custo de infraestrutura.
- Teste separado de produção. O que está sendo validado roda em ambiente de teste e só sobe quando está aprovado.
- Custo mensal na conta antes de construir. Hospedagem, consumo de IA e ajustes entram na estimativa do projeto, ao lado do custo de construir.
É exatamente o tipo de custo que a pesquisa descreve: ele não aparece no dia em que o sistema fica pronto, aparece no terceiro mês. Quem planeja desde o início não é surpreendido.
Quem vai operar: a pergunta que decide o projeto
O que mantém um sistema de pé depois da entrega é ele ter um dono. Em um dos nossos clientes da indústria, isso virou contrato: uma assessoria contínua que sustenta 5 sistemas e agentes em um único acordo, com uma fila única de melhorias e visitas presenciais. Em outro, um sistema de gestão de tarefas e planos de ação construído sob medida passou de 400 usuários, e só continua evoluindo porque alguém é responsável por ele.
É por isso que a nossa leitura da pesquisa é esta: o seu próximo software provavelmente vai ser construído, e não comprado. Só que, antes de construir, você precisa decidir quem vai operar. Se a resposta for "ninguém", a escolha certa ainda é comprar.
Como a Nexus usa IA nessa decisão
A gente começa pela operação, não pela ferramenta. Olhamos os sistemas que a empresa paga hoje e os processos que vivem em planilha, e separamos três grupos: o que é igual em toda empresa (fica comprado), o que carrega a regra do negócio (vale construir com IA) e o que não tem dono definido (espera). Só então escolhemos a base, quase sempre um modelo pronto como o Claude e uma plataforma de automação, e construímos em cima dela a parte que é sua.
Na entrega, o custo de manter e o responsável pela operação já estão definidos. A IA encurta o tempo de construir; quem garante que o sistema continua útil daqui a um ano é a decisão tomada antes de começar.
Perguntas frequentes
O que a McKinsey descobriu sobre comprar ou construir software com IA? Na pesquisa sobre IA de 2026, 32% dos entrevistados disseram que a empresa deixou de comprar pelo menos um software ou funcionalidade porque conseguiu construir o mesmo internamente com ferramentas de programação baseadas em agentes de IA.
Vale a pena uma PME construir o próprio sistema com IA em vez de comprar? Vale quando o sistema carrega uma regra que é só da empresa e quando existe alguém responsável por operar o que foi construído. Para o que é igual em toda empresa, como agenda, envio de mensagem ou o próprio modelo de IA, comprar costuma sair melhor.
Construir com IA ficou mais barato? Construir ficou mais rápido e mais barato. Manter não ficou: na mesma pesquisa, cerca de uma em cada cinco empresas disse que o custo de operar a IA, incluindo o custo de tokens, já limitou o uso. A conta sai da licença e vai para a operação.
Dá para construir em cima de uma ferramenta comprada? Sim, e na maioria dos projetos é o melhor caminho. Compra-se a base (o modelo de IA, a plataforma de automação) e constrói-se só a parte que carrega a regra do negócio, como o conector com o ERP.
